sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Estréia (com acento agudo, se faz favor)

Para os muito jovens, uma explicação: a descrição do blog não é de minha autoria. Aliás, a autoria se perdeu pelos subúrbios cariocas; o genial autor jamais será recompensado pela frase que vinha escrita em todos os recibos do jogo do bicho, ao menos na cidade do Rio de Janeiro: “Vale o que está escrito.” O apostador apostava, o anotador anotava, o esperançado guardava o papelucho no bolso e conferia mais tarde, às vezes naquele mesmo dia.
Ganhasse, raramente seria uma grande fortuna, no máximo um dinheiro pra pagar rodada de cerveja no boteco, comprar uma camisa nova, um perfume pra namorada, uma noitada de sábado. Perdesse, também não dava pra ficar mais pobre. Diversão pequena, de gente humilde, que vivia de esperança, pelas vilas, pelos trens, pelos morros.
Perdendo ou ganhando, não havia discussão, valia o que estava escrito. Nascido e criado num subúrbio da Central, ao menos enquanto por lá morei, nunca soube de alguém que, ganhando e estando escrito, não tivesse recebido o prêmio. Por outro lado, jamais tive notícia de quem tivesse a idéia de cobrar o que não estivesse ali registrado.
Num tempo em que até as apostas do bicho são feitas em maquininhas eletrônicas, este blog, absolutamente despretensioso, traz da lembrança os muitos homens e mulheres cujas vidas, de simplicidade, alegria e esperança, eram pautadas por certezas que nós já não temos.

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